21-03-2007
25 de Março 2007
Os Obstinados
de
Mariano Manzur
Local: Sala Bebé - Cinema Batalha
Dia: 25
de Março de 2007
Horário: 15.30h
Título Original: Los Porfiados;
Realização e Argumento: Mariano Manzur;
Fotografia: Germán Drexler;
Som: Marco Domenichini, Fernando Ribero;
Direção Artística: Claudia Aberbuj, Eloisa Solaas;
Interpretação: Mario Paolucci |Dino Scarfo, Germán de Silva |Artemio, Ernesto Candoni |Bragueton, Nathalie de Parseval |Eva, León Dogodny |Don Bachetta, Mario Offenhenden |Domingo Acevedo;
Música Original: Martín Torres Manzur;
Montagem: Roberto Echegoyenberri, Mariano Manzur;
Montagem Som: Elsa Ferreira;
Produtor: Mariano Manzur;
Produtor Associado: Paulo Branco;
Duração: 90 minutos (1h30m); Estreia em Portugal: 26 de Setembro de 2003.
"Os Obstinados" é antes de mais uma fábula política divertida e
cativante. Sobre a revolução e o poder. (...) De facto, é o pequeno teatro da
vida, amargo, insignificante, áspero, que encena igualmente o realizador com as
suas pequenas marionetas patéticas, os seus D. Quixote da revolução, heróis
contra a sua vontade, humanos, demasiado humanos.
Jean-Baptiste Morain | Les Inrockuptibles
08-03-2007
11 de Março - Tão de Repente
Tão de Repente
de
Diego Lerman
Local: Sala Bebé - Cinema Batalha
Dia: 11 de Março de 2007
Horário: 15.30h

Título Original: Tan de Repente;
Realização: Diego Lerman;
Argumento: Diego Lerman, María Meira, baseado em La Prueba livro de César Aira;
Fotografia: Luciano Zito, Diego del Piano; Som: Julian Caparros; Direção Artística: Mauro do Porto, Luciana Kohn;
Caracterização: Marisa Menta;
Guarda-Roupa: Constanza Pierpaoli;
Interpretação: Tatiana Saphir |Márcia, Carla Crespo |Mao, Veronica Hassan |Lenin, Beatriz Thibaudin |Blanca, María Merlino |Delia, Marcos Ferrante |Felipe, Ana María Martínez |Ramona, Luis Herrera |motorista de camião;
Música Original: Juan Ignacio Bouscaryol, Murciélago;
Montagem: Alberto Ponce, Benjamín Ávila, Roli Rauwolf;
Produção: Sebastián Angel, Diego Lerman, Nicolás Martínez Zemborain, Lita Stantic;
Duração: 94 minutos (1h34m);
Estreia em Portugal: 26 de Setembro de 2003.
A partir de um trio de meninas o filme desencadeia uma inteligente aproximação estética e narrativa das formas de relação e afetividade entre um casal de amantes e uma terceira personagem que se torna objeto de desejo de uma delas. A partir de duas figuras que cultivam sua estereotipia como forma de afirmação de uma identidade provocativa (o casal de mulheres batiza-se de Lênin e Mao e encenam identidades propositalmente estranhas, instigantes) o filme costura uma sutil aproximação dessa superfície gestual e vai conduzindo as personagens para outras facetas, outros sentimentos, outras máscaras possíveis para além das usadas até ali, no seu quotidiano. Se num primeiro momento, é o desejo abrupto de Mao por Márcia - que tira a rotina de seu eixo, será a chegada de uma tia de Lênin (residente na cidade de Rosario) que irá tirar essa "jornada sem rumo" de seus eixos. Nesse sentido, Lerman demonstra bastante consciência no modo com que parte dos planos distanciados e frios dos primeiros minutos de Buenos Aires e vai refinando sua observação cada vez mais próxima de diálogos, objetos e gestos dentro da pequena casa.
Filipe Bragança
Com um p&b deslavado e um pouco «arty», TÃO DE REPENTE arranca sem bússola, em jeito de «road-movie» (...) É um filme na corda bamba, com vontade de recomeçar tudo, sem objectivos definidos. Mas cobre o risco.
Francisco Ferreira |Expresso
(...) um nítido trabalho de fim de curso (...) ‘Tão de Repente’ pretende ser algo sobre a coragem de mudar, mas fica-se muito pela rama e boas intenções.
António Rodrigues |Diário de Notícias

Filmografia de Diego Lerman
2006 |Mientras Tanto
2005 |La Guerra de los Gimnasios
2002 |Tan de Repente
Festival de Locarno - Leopardo de Prata
Festival de Cinema Latino Americano de Havana - Melhor Filme (dividido com Cidade de Deus) e Melhor Actriz
1999 |La Prueba
apoio:
programação
sujeita a alterações
Se desejar receber regularmente a nossa informação, envie um email para: cineclubedoporto@gmail.com
23-02-2007
Sessão Cineclubista - dia 25 de Fevereiro 2007
Histórias Mínimas
de
Carlos Sorin
Local: Sala Bebé - Cinema Batalha
Dia: 25 de
Fevereiro de 2007
Horário: 15.30h

As
paisagens frias da Patagónia são o cenário do enredo. O vórtice - Don Justo é
dono de um restaurante à beira da estrada, agora gerido pelo seu filho e
respectiva mulher. Uma pessoa avisa-o que o seu cão, desaparecido há três anos,
foi avistado em San Juan, uma localidade a mais de 300 quilómetros. Sem a
aprovação do filho, e pela calada da noite, Don Justo decide partir em busca do
seu animal de estimação.
A esta história "mínima" juntam-se outras que se
vão cruzando ao longo do filme. A de Maria Flores, mulher simples que se vê
também lançada para a cidade, na tentativa de recolher um prémio que lhe foi
atribuído num canal de televisão. E também a de Roberto, um caixeiro viajante
apaixonado por uma viúva de San Juan, por quem nutre a esperança de um dia poder
vir a começar um relacionamento.
apoio:
programação
sujeita a alterações
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01-02-2007
O Pântano - domingo 4 de Fevereiro 2007
O Pântano | La Ciénaga
de Lucrecia Martel
Sala Bebé do Cinema Batalha
às 15.30h
Sinopse
Fevereiro no Nordeste argentino. Sol escaldante e
chuvas tropicais. Algumas terras tornam-se pantanosas. Esses pântanos [ciénaga
em espanhol] são mortais para os animais que neles se afundam. Mas esta
história não é sobre pântanos, mas sim sobre a cidade La Ciénaga e os seus
arredores.
Mecha tem 50 anos, um marido que pinta o cabelo e quatro filhos. Nada que dois
ou três copos não possam curar. A família passa o Verão no campo, em La
Mandrágora, numa casa com uma piscina decrépita, imunda, mas que mesmo assim é
um alívio. Tali, prima de Mecha, também tem um marido e quatro filhos. Vive em
La Ciénaga numa casa sem piscina. Um acidente vai reunir as duas famílias
durante o tempo de um Verão, o tempo de uma estação no Inferno.
Equipa Artística e Técnica
MARTIN ADJEMIAN
Gregorio
DIEGO BAENAS
Joaquín
LEONORA BALCARCE
Verónica
SILVIA BAYLE
Mercedes
SOFIA BERTOLOTTO
Momi
JUAN CRUZ BORDEU
José
GRACIELA BORGES
Mecha
NOELIA BRAVO HERRERA
Agustina
MARIA NICOL ELLERO
Mariana
ANDREA LOPEZ
Isabel
SEBASTIÁN MONTAGNA
Luciano
MERCEDES MORAN
Tali
DANIEL VALENZUELA
Rafael
FRANCO VENERANDA
Martín
FABIO VILLAFAÑE
Perro
Escrito e realizado por
LUCRECIA MARTEL
Produzido por
LITA STANTIC
Co-produzido por
DIEGO GUEBEL, ANA AIZEMBERG E MARIO PERGOLINI
Co-produzido em Espanha por
JOSE MARIA MORALES
Director de fotografia
HUGO COLACE
Montagem
SANTIAGO RICCI
Director Artístico
GRACIELA ODERIGO
Som
HERVE GUYADER, EMMANUEL CROSET, GUIDO BEREMBLUN E ADRIAN DE MICHELE
ARGENTINA/ESPANHA; 2001; 102'
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2007
apoio:![]()
14-12-2006
Feliz Natal - domingo 17 de Dezembro
Feliz Natal
(Joyeux Noël)
de Christian Carion
Sala Bebé do Cinema Batalha
às 10.30h / 15.30h

© Nord-Ouest Production / Photo J.C. Lother
Sinopse
Este filme inspira-se numa história verídica que aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial, na noite de Natal de 1914, em vários sítios da frente de batalha.
Quando a guerra rebenta no Verão de 1914, surpreende e arrasta milhões de homens no seu turbilhão. E o Natal chega, com a neve e as prendas das famílias e dos Estados-Maiores. Nessa noite, um acontecimento notável vai mudar para sempre o destino de 4 personagens: um padre escocês, um tenente francês, um tenor alemão e uma soprano dinamarquesa, estrelas da época que, nessa noite de Natal de 1914, se vão encontrar no meio de uma confraternização sem precedentes entre soldados alemães, franceses e britânicos. Vão deixar a espingarda no fundo das trincheiras para irem ter com quem está do outro lado, apertar-lhe a mão, trocar cigarros e chocolate, desejar "Feliz Natal!"
FICHA TÉCNICA
Actores e Técnicos
Anna Sörensen - Diane Krüger
Canções interpretadas por Natalie Dessay
Nikolaus Sprink - Benno Fürmann
Canções interpretadas por Rolando Villazon
Audebert - Guillaume Canet
Palmer - Gary Lewis
Ponchel - Danny Boon
Horstmayer - Daniel Brühl
Gordon - Alex Ferns
Jonathan - Steven Robertson
Gueusselin - Lucas Belvaux
O general - Bernard Le Coq
L'évêque - Ian Richardson
Jörg - Frank Witter
William - Robin Laing
Dona do Castelo - Suzanne Flon
Dono do Castelo - Michel Serrault
Música original - Philippe Rombi
Escrito e realizado por Christian Carion
Produzido por Christophe Rossignon
Produtor Associado - Philip Boëffard
Uma co-produção - França/Alemanha/Inglaterra/Bélgica/Roménia
entre Nord-Ouest Production
Senator Film Produktion - The Bureau
Artemis Productions - Media pro Pictures
e TF1 Films Production - Productions de La Guéville
com a participação de Canal + - Ciné Cinéma - Sat.1
la Région Nord Pas de Calais - le C.R.R.A.V
e o apoio de Centre National de la Cinématographie - de Eurimages
e do FFA Filmförderungsanstalt
do Medienboard Berlin-Brandenburg
do Tax Shelter do Governo federal da Bélgica
em associação com Soficinéma - Groupe Un - Uniétoile 2
Scope Invest - Cofinova 1 - Nippon Hérald - Cofimage 16
Cinéart - Sogécinéma 3 - Films Distribution
Financiamento internacional Daniel Marquet
Co-produção internacional - Producteurs Christopher Borgmann - Benjamin Herrmann - Patrick Quinet
Bertrand Faivre - Kate Ogborn - Sol Guatti-Pascual - Andreï Boncea
Produtora Executiva - Eve Machuel
Director de produção - Stéphane Riga
Assistente de Realização - Philippe Larue
Director de Fotografia - Walther Vanden Ende
Chefe de Décors - Jean-Michel Simonet
Guarda-roupa - Alison Forbes-Meyler
Montagem - Andrea Sedlackova
Som - Pierre Mertens - Thomas Desjonquères e Dean Humphreys
Casting - Susie Figgis - Sabine Schroth
Fotografia de Cena - Jean-Claude Lother
115’
FILMOGRAFIA DE CHRISTIAN CARION
2001 | UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA
1998| MONSIEUR LE DEPUTE (curta-metragem)
1997 | LE CHATEAU D'EAU (curta-metragem)
1994 | DOUCEMENT LES VIOLONS! (curta-metragem)
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2006
apoio:
22-11-2006
Rosa La China - Domingo, 26 de Novembro
ROSA LA CHINA
de Valeria Sarmiento
Sala Bebé do Cinema Batalha
às 10.30h / 15.30h 
Actores e Técnicos
Dulzura | Juan Luis GALIARDO
Rosa | Luisa Maria JIMÉNEZ
Marcos | Abel RODRIGUEZ
Rita | Daisy GRANADOS
Laura | Yipsia TORRES
Maria | Verónica LYNN
Edelmira | Aurora BASNUEVO
Mendizabal | Rogelio BLAIN
Cirilo | Mario LIMONTA
Polo | Rolando NUNEZ
Realização
| Valeria SARMIENTO
Argumento | José TRIANA
Com a colaboração de | Valeria SARMIENTO
Director de Fotografia | Acácio de ALMEIDA
Engenheiro de Som | Gilles ORTION
Montagem | Carmen FRIAS
Directora Artística | Isabel BRANCO
Cenários | Raul OLIVA
Música | Paquito D'RIVERA
Com a colaboração de | Oriente LOPEZ
Co-produtora | Mariela BESUIEVSKY
Produtores Executivos | J. CARVALHO, M. MENDOZA, S. CATOIRE
Produtores | Gerardo HERRERO, Paulo BRANCO
Uma produção da MADRAGOA FILMES (Portugal), GEMINI FILMS
(França), TORNASOL FILMS (Espanha), ICAIC (Cuba)
Portugal/França/Espanha/Cuba; 2002

Todas as tardes, um novo episódio da novela radiofónica "Rosa la China", em que as vozes se transformam em imagens.
Cuba, anos 50. La Trompeta é o clube nocturno mais concorrido de Havana. Dulzura dirige o sítio com braço de ferro e ajuda das suas relações políticas duvidosas. A amante, Rosa, anda a enganá-lo com um gigolo de falinhas mansas chamado Marcos. É um triângulo manipulado pelo dinheiro e pela ambição, condenado ao melodrama. Sedução, decepção, amor desesperado,... Mas toda a gente afasta as preocupações dançando ao som dos ritmos latinos que se ouvem em La Trompeta. Mas lá fora, as greves e os protestos dos estudantes reflectem o estado de agitação que se vive na capital cubana.
Para os mais supersticiosos, as cartas ditam o destino de todos.
Filmografia de Valeria Sarmiento
LONGAS-METRAGENS
2002 – ROSA LA CHINA
1998 – L’Inconnu de Strasbourg
1994 – Elle
1990 – Amelia Lopes O’Neill
1984 – Notre Mariage
DOCUMENTÁRIOS
1999 – Mon Premier French Can-Can
1998 – Voyage dans le temps (sobre o escritor Carlos Fuentes)
1991 – La Planete des Enfants
1982 – A Man When He is a Man (El Hombre cuando es Hombre)
1980 – Gens de Nulle Part, Gens de Toutes Parts
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2006
apoio:
ICAM Ministério da Cultura
30-10-2006
A Esquiva - Domingo, 12 de Novembro 2006
A ESQUIVA (L'Esquive)
de Abdellatif Kechiche
Sala Bebé do Cinema Batalha
às 10.30h / 15.30h

© Rezo Films - Osman Elkharraz et Sara Forestier
FICHA ARTÍSTICA
Krimo ::: Osman Elkharraz
Lydia ::: Sara Forestier
Frida ::: Sabrina Ouazani
Nanou ::: Nanou Benhamou
FICHA TÉCNICA
Realizador ::: Abdellatif Kechiche
Produtor ::: Jacques Ouaniche
Director de Fotografia ::: Lubomir Bakchev
Montagem ::: Antonella Bevenja | Ghalya Lacroix
2003 | França | 117’ | cor | dolby digital

© Rezo Films - Osman Elkharraz et Sara Forestier
Num liceu de periferia, um grupo do adolescentes ensaia uma peça de Marivaux. Cruzamento subtil entre o real e o teatro em que se experimentam os perpétuos jogos entre o amor e a sorte. Com diálogos incandescentes e jovens actores eléctricos, A ESQUIVA de Abdellatif Kechiche põe a nu delicadamente algumas fracturas da sociedade francesa.
A ESQUIVA é um filme de palavra. Palavra que queima, fenómeno de energia e invenção. (…) Mas de que se trata ? Lydia (Sara Forestier, magnífica), uma loira bonita, ensaia “Le Jeu de l’amour et du hasard” de Marivaux para o espectáculo do fim do ano. Krimo (Osman Elkharraz, subtil) apaixona-se por ela. Tímido, introvertido, pouco à vontade com as palavras e com os seus sentimentos, Krimo decide entrar na peça, estratagema simples para seduzir Lydia, já que ele não entende nada de teatro e de Marivaux. A partir daí o filme confronta a língua clássica do século XIX com o falar dos adolescentes contemporâneos. E este jogo oral é fantástico e cheio de graça, de criatividade e de pertinência política. Porque entre as duas estilizações da língua francesa, que mostram a sua evolução e a sua vivacidade, Kechiche não escolhe.
A peça de Marivaux funciona também como nível simbólico, ordenado e domesticado do que acontece caoticamente na ficção do presente. Ao inventar uma estratégia de conquista, Krimo utiliza Marivaux para atingir os seus fins: ao fazê-lo, interpreta Marivaux sem o saber. Ao justapor o universo da cidade e o de Marivaux (dois espaços teatralizados), Kechiche mostra que, independentemente da época e da classe social, os homens e as mulheres têm os mesmos sentimentos, as mesmas preocupações, os mesmos desejos.
O problema de Krimo é que ele é muito mau no teatro e é essa toda a tragédia da sua personagem. Porque no meio de todos os faladores do quarteirão, Krimo é um silencioso, um rapaz que não domina a palavra, nem em palco nem na vida. Mas não é só Krimo que sofre, os que dominam a palavra também sofrem. (...) Entre o muito pouco e o muito, a linguagem aparece como uma força abstracta, musical, sónica, que galvaniza, mas que não ajuda os seres a entenderem-se.
Podíamos também tecer mil considerações sócio-políticas sobre este filme. Kechiche não fala neste filme nem de roubo, nem de integração, nem de fracturas sociais, nem da República... mas o filme acaba mesmo assim por falar entre as linhas, entre as imagens: a pressão da cidade, os pais na prisão, a promiscuidade social, o fechamento do quarteirão, a brutalidade dos polícias. (...)
Se A ESQUIVA é político não é por denunciar as injustiças conhecidas por todos ou por trazer soluções para as fracturas francesas, mais sim porque ele põe jovens a interpretar e os faz fugir durante a duração do filme à sua prisão social. Porque também eles têm direito às suas intrigas sentimentais, às ficções eternas e universais, também eles têm direito a interpretar personagens e não só os papéis simbólicos lhes dão os fantasmas a direita (de dealers), a esquerda (de vítimas).
Nisso, A ESQUIVA inscreve-se numa das mais belas linhagens do cinema francês, a de Renoir, Rohmer e Doillon.
SERGE KAGANSKI, LES INROCKUPTIBLES, JANEIRO DE 2004

© Rezo Films - Osman Elkharraz et Sara Forestier
Abdellatif Kechiche filma a palavra como se fosse febre, levado por uma urgência que dá ao filme uma grande força artística.
O cineasta esquiva todas as expectativas do espectador, para quem um grupo de jovens à entrada de um prédio nunca seria material cinematográfico, quanto muito material de uma reportagem de televisão sobre insegurança.
Pela primeira vez, um cineasta francês filma a periferia como um cofre cheio de personagens evitando a sociologia. A ESQUIVA é um filme modelado pelo discurso, paradoxal como o encontro entre Marivaux e Krimo. (...)
No fim, depois de um confronto embaraçado num carro que os polícias vêm interromper, o filme é invadido por uma languidez muda. Será que Lydia se vai finalmente decidir? Será que ela vai revelar os seus sentimentos? Será que a paciência de Krimo será recompensada? As respostas aparecem em silêncio, nos rostos de cada um. Há nisto uma demonstração brilhante do poder da câmara: as palavras cedem terreno, como que a significar o triunfo absoluto do cinema tal como uma verdade cruel. Sem a muralha da linguagem Lydia, Krimo e os outros aparecem subitamente despidos, frágeis, mais ainda que as personagens de Marivaux.
FLORENCE COLOMBANI, LE MONDE
© Rezo Films - Osman Elkharraz et Sara Forestier
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2006
apoio:
ICAM Ministério da Cultura
Cinema
Batalha ![]()
19-10-2006
Programação Outubro – Novembro 2006
Na Sala
Bebé – Cinema Batalha
27 Outubro 21.30h - Noite dos Realizadores
Sessões
Quinzenais
Às 10.30h
e 15.30h
12
Novembro - A Esquiva de Abdellatif
Kechiche
26 Novembro - Rosa la China de Valeria Sarmiento
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2006
apoio:
ICAM Ministério da Cultura
Cinema
Batalha ![]()
17-10-2006
A Costa dos Murmúrios - domingo, 22 de Outubro
A COSTA DOS MURMÚRIOS
de MARGARIDA CARDOSO

Sala Bebé do Cinema Batalha
às 10.30h / 15.30h
Ficha Técnica
realização Margarida Cardoso
argumento Cédric Basso e Margarida Cardoso
baseado no romance homónimo de Lídia Jorge
"A Costa dos Murmúrios", Edição de Publicações Dom Quixote, 1988
direcção de fotografia Lisa Hagstrand
montagem Pedro Marques
música original Bernardo Sassetti
direcção artística Ana Vaz
decoração Augusto Mayer
maquilhagem & cabelos Sano de Perpessac
guarda-roupa Sílvia Meireles
som Carlos Alberto Lopes
misturas Branko Neskov
assistente de realização João Fonseca
direcção de produção João Montalverne
produção
Filmes do Tejo
Les films de l ‘après-midi
co-produção
ZDF/ARTE
Network Movie
apoio financeiro
MC/ICAM
RTP – Rádiotelevisão Portuguesa
Instituto Camões
2004 | Dolby Digital | 120’
Ficha Artística
Beatriz Batarda Evita
Filipe Duarte Luís
Mónica Calle Helena
Adriano Luz Forza Leal
Luís Sarmento Jornalista
João Ricardo ▪ Dinarte Branco ▪ Sandra Faleiro ▪ Bia Gomes ▪ Fernando Luís ▪ Carlos Pimenta ▪ Custódia Galego ▪ José Raposo ▪ Carla Bolito ▪ Jorge Pinto ▪ José Airosa ▪ Nuno Pinto ▪ Marcelo Urgeghe ▪ João Lagarto ▪ Núria Mencia

SINOPSE:
“Sim, é verdade, nesse tempo chamavam-me assim (...) Nesse tempo Evita era eu (...)
”Evita recorda e corrige uma história que já lhe pertenceu.”
No final dos anos 60, Evita chega a Moçambique para casar com Luís, um estudante de matemática que ali cumpre o serviço militar. Evita rapidamente se apercebe que Luís já não é o mesmo e que, perturbado pela guerra, se transformou num triste imitador do seu capitão, Forza Leal.
Os homens partem para uma grande operação militar no norte. Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher de Forza Leal. Submissa e humilhada, Helena é prisioneira na sua casa onde cumpre uma promessa. É ela quem revela o lado negro de Luís...
Perdida num mundo que não é o seu, Evita apercebe-se da violência de um tempo colonial à beira do fim.
Um tempo de guerra, de perda e de culpa.

quando nasceu a vontade de fazer este filme?
Li o romance da Lídia Jorge, “A Costa dos Murmúrios”, no início dos anos 90 quando ainda não pensava em realizar. O livro tocou-me por razões muito pessoais: tudo se passava em sítios que eu conhecia, num ambiente em que eu vivera, o dos militares portugueses em África e das suas famílias, durante a guerra colonial. Vivi em Moçambique entre 1965 e 1975, dos 2 aos 12 anos, em Lourenço Marques [hoje Maputo] e depois na Beira já que o meu pai era militar, da Força Aérea.
Só voltei a Moçambique em 96 e sofri um choque ao deparar com uma sociedade destruída e tão difícil de compreender, com um povo desfeito, sem dignidade nenhuma, uma dignidade que lhe tinha sido tirada, roubada... A minha história pessoal está para sempre ligada àquela terra, que foi afinal o local da minha infância, e penso que, por isso, é difícil não querer, com toda a força, responder à pergunta “o que foi que correu tão mal nisto tudo?”. Correu mal para todos, para os africanos, para os portugueses, para todos os que sofreram com o absurdo que foi o colonialismo. Este “absurdo” marcou muitas pessoas da minha idade e fez com que muitos de nós ficássemos para sempre sem pertencer realmente a lugar nenhum. O meu percurso mais íntimo está relacionado com factos históricos, com a guerra colonial, com a revolução de 1974 em Portugal, com o regresso de África, acontecimentos que marcaram e mudaram muitas vidas. Ainda hoje há coisas que me fazem chorar imenso, sem saber porquê, como ver pessoas a fugir, imagens de refugiados, gente a ter que sair das suas terras. Deixam-me desfeita. Acho que isso tem a ver com esse período, com uma perda que não é só emocional, é geográfica também. Em Moçambique, ainda por cima, a mudança foi dramática. Queres revisitar o sítio onde colocaste fisicamente as tuas memórias mas nunca o encontras... Parece que alguma coisa da tua vida ficou para sempre escondida, nas pregas da História, e isso é um pouco angustiante. Acho que foi esta necessidade de procura, que já está presente nos meus documentários anteriores, que me fez adaptar “A Costa dos Murmúrios”. Percebi que aquilo que queria procurar estava ali, naquele tempo e naquele lugar.
em que medida é que a “costa dos murmúrios”, que não é uma história tua, é uma história autobiográfica para ti?
No fundo é, mas só no sentido em que são as minhas experiências pessoais, as minhas emoções e recordações – muito mais que uma lealdade cega à adaptação do livro –, que me serviram de referência para o filme. Por exemplo, agora quando vejo o filme parece--me claro ser mais um filme sobre a violência do que sobre a guerra. Porque senti a guerra, e ainda a sinto, como uma espécie de violência em ricochete, uma violência em eco... O que chegava ao mundo a que eu pertencia, que era o mundo das mulheres e das crianças, era uma violência quase “doméstica”, vinda neste caso dos homens que tinham estado na guerra e que, ao voltar, exerciam essa violência sobre tudo o que os rodeava, de uma forma inconsciente. A violência sobre as mulheres era muito comum, por exemplo. Estava sempre latente, sentia-se imenso e era algo muito ofensivo.
Outro exemplo da utilização de referências pessoais está no facto de o filme ser tão fechado, tão interior. De facto, sempre vivi mais nas cidades, muitas vezes apenas com a minha mãe e a minha irmã e, sozinhas, não íamos propriamente passear para a savana... Fora as praias, que eram na altura o local exterior de eleição para os passeios das famílias, o resto parecia-me tudo muito interior, fechado, escuro. Era tudo muito opressivo, pois também nessa altura começaram a morrer muitos militares e, no hotel onde vivíamos, havia sempre um ambiente de morte. Lembro-me das jovens viúvas a chorarem nos quartos escuros, consoladas por outras mulheres e observadas por grupos de crianças incrédulas...
os povos parecem ter formas diferentes de reagir aos períodos traumáticos da sua história. os americanos, em relação ao vietname, exploraram desde o início esse tema cinematograficamente, como uma psicanálise pública, um exorcismo nacional. ao contrário, em portugal, a guerra colonial sempre foi um tema escondido, abafado, ignorado pelo cinema. só muito recentemente esse período histórico e a relação com as ex-colónias voltou aos ecrãs, quase sempre tratado por uma geração mais nova, que consegue olhar para isso de outra forma. porquê?
Acho que isso não se passa apenas em Portugal, os franceses sofrem exactamente do mesmo problema... Os americanos são assim, são capazes de encenar os seus dramas com grande facilidade, são pragmáticos. Mas mesmo que alguns filmes sejam interessantes, capazes de dúvida e reflexão, a maioria não reflecte nada sobre nada, limitando-se a expor e representar a situação. Os americanos diferem de nós porque não sentem culpa. Nós sentimo-la realmente. Não só a culpa do colonialismo, também a culpa da incompreensão. Eu própria, que me sinto bem em África, sinto que historicamente se passou algo indelével, que não há como apagar. Isso reflecte-se na incompreensão daquela sociedade, dividida até hoje entre aqueles que vivem nas cidades com um determinado nível cultural e económico e fora delas toda uma gigantesca população cujo funcionamento social e cultural nos escapa.
Para falar de África é sempre preciso, primeiro, explicar África, o que é uma pena e muito redutor. Quando queremos falar de África, tratar determinados assuntos, temos que lidar sempre com a terrível culpa de não estar a fazer justiça a nada porque estamos a falar de uma coisa que não é verdadeiramente África mas aquilo que nós conseguimos perceber de África, que é muito pouco. A única maneira de lidar com isso é sacudir essa culpa e pensar que se falarmos de sentimentos e emoções universais, as nossas hipóteses de sermos injustos são mais reduzidas...
Em Portugal, não temos grande tradição de expressão dramática nem facilidade em nos representarmos a nós próprios, talvez pelas nossas características identitárias altamente confusas. Após a revolução, a reflexão sobre o que se tinha passado a nível colectivo era: “então foste para a guerra matar o nosso irmão negro, devias era ter fugido para França...” Ora, a maior parte das pessoas que tinham combatido em África vinham de meios muito pobres, nem dinheiro tinham para comer e, provavelmente, nem sabiam para que lado era França... Esta interpretação história culpabilizante fez com que durante anos ninguém tenha conseguido falar sobre esse período histórico.
Agora, com o desenvolvimento cultural do país mas, principalmente, com o tempo que sara muitas feridas, começaram a surgir pessoas a falarem desse tempo, não tentando propriamente reconstituir as coisas de uma forma global ou encontrar uma verdade absoluta sobre coisas, mas através de reflexões mais íntimas e emotivas. E hoje começa-se a criar uma aceitação desse imaginário colectivo. É composto de várias pequenas coisas e cada uma delas é uma verdade.
esta história da evita que abre os olhos e descobre um noivo que afinal é outro naquele contexto, não só ele como o mundo também é outro – a cena em que evita chora na cama num plano de pernas para o ar, metáfora de um mundo que também está de pernas para o ar – é um filme sobre a descoberta do quê?
É sobretudo um filme sobre a violência de uma perda. A perda da Evita é sobretudo uma perda identitária, não saber quem é, ali. O filme acabou por ser o percurso desta mulher que quer tentar perceber e vai cada vez mais e mais longe. Não se aproxima de dentro, ela vai sendo sobretudo influenciada por coisas que lhe são exteriores. E esse percurso acaba de uma forma que não é conclusiva, aliás não queria e não gosto desse tipo de resolução, num último movimento de libertação. Não se pode dizer que a morte do Luís, no final, seja conclusiva porque ele já estava morto antes. Quando ele morre, ela diz em off “... encontraram o corpo do Alferes Luís Galex...” que é a alcunha de guerra de Luís. Ele é, para ela, alguém que tinha desaparecido há muito tempo ou que nunca lá tinha estado, aliás. Para mim, é a coisa mais humana e lógica que existe. Talvez não haja uma solução, as coisas vão passando e depois encontram-se outras, é só mais um percurso. Essencialmente, o que achei importante foi a questão do regresso à história do personagem da Evita. Para mim, a Evita é sobretudo um olho. Ela fala pouco aliás, não é activa, assiste. Queria que ela fosse uma personagem intemporal, sem características que associamos às mulheres dos anos 60, como a submissão por exemplo, podendo ser qualquer uma de nós, hoje. É uma mistura do que foi e daquilo que é hoje, ao relembrar isso. Por isso é importante que ela não se relacione verdadeiramente com nada, nem com as mulheres do Stella Maris, nem com o jornalista que pertence a mundo que ela não conhece e que até a repugna um pouco, nem com o marido que também já está longe. O ser um personagem intemporal representa também o nunca sabermos se ela está lá ou não. Há sempre uma grande dúvida sobre os factos e sobre a sua própria capacidade de os reconstituir, muito tempo depois.
O livro contém dois relatos. O primeiro é um conto curto chamado “Os Gafanhotos” e a segunda parte é “A Costa dos Murmúrios”, na qual acabei por me concentrar. São muito diferentes. O primeiro tem um registo quase onírico, é uma visão da história muito misteriosa, e o outro é a sua explicação, num tom mais realista. É uma revisitação do primeiro livro, de um ponto de vista actual, de alguém que está a olhar para aqueles factos à distância, a ponto de já não se reconhecer a si própria. Quando comecei a construir a linha narrativa do filme, fui obrigada a fazer uma escolha já que o tom de um e outro eram incompatíveis, caso não fosse explícito existirem duas narrações diferentes. Assim, “Os Gafanhotos” ficaram apenas na voz off da personagem de Evita, que fala com um interlocutor invisível, que se crê ser o autor da história da qual ela era a protagonista.
a guerra, vista por esta perspectiva, é também uma demonstração de como não há guerras assépticas que se passam num determinado sítio, afinal invadindo tudo em redor, contaminando toda a gente?
Claro que contaminam tudo e todos e num raio temporal muito grande. A questão da guerra é estranha para mim, porque não a vejo senão ligada à questão humana. No fundo, o que me custa mais é a infalibilidade dessa característica humana. A guerra é sempre absurda. Nessa época, apesar de tudo eram conduzidas por ideologias, hoje cada vez mais os verdadeiros interesses se tornam difíceis de identificar. Mas a natureza mais profunda da guerra parece não se despegar de nós de maneira nenhuma.
o personagem da helena é um negativo de evita levado às últimas consequência?
Na realidade, eles são todos os mesmos personagens. Foi sempre a minha ideia, desde o início. Tanto Evita como o seu marido, o Luís, são figuras passivas. E há dois personagens activos, Helena e Forza Leal. Luís e Evita são afinal as suas sombras e é esta última, uma sombra, que nos leva através desse percurso. Se Evita não fosse pura e simplesmente a representação de qualquer coisa, seria igual a Helena. Como personagem, Helena é exagerada, com um dramatismo intrínseco, nem sabemos bem se estará um pouco louca... Mas quando Evita olha para Helena, vê-se a si própria, vê o que não quer ser. Helena tenta mostrar a Evita a evidência das suas similitudes, tenta colar-se a ela, arrastá-la para um local sinistro... Luís e Jaime Forza Leal são também a mesma pessoa. Forza Leal é o interior de Luís, e de Luís só resta uma espécie de corpo sem alma, um recipiente vazio.
a fotografia é belíssima: o filme começa absolutamente claro, etéreo, livre, no espaço aberto do terraço, e depois vai escurecendo, pesando, fechando-se até chegar àquele cubículo, lugar de morte. como foi o processo de trabalho, filmando em hd?
Tudo foi muito pensado e preparado, todo a evolução visual do filme, a nível de luz, dos décors, etc. Claro que numa pequena produção cheia de contingências económicas é difícil ser perfeito e manter essas premissas, mas acho que se conseguiu. A ideia foi sempre começar com um ambiente mais caloroso, mais claro, mais aberto ir parar a algo muito mais claustrofóbico. Entre o escrever, montar a produção e o filmar, este filme demorou quatro anos. Tivemos três meses de preparação antes da rodagem e sete semanas de filmagens, das quais três em Moçambique. Grande parte da preparação foi passada a falar com a Ana Vaz, responsável pela direcção de arte, e com a Lisa Hagstrand, que fez a fotografia.
A opção do HD foi determinada exclusivamente pela vontade de me libertar das restrições de película. Nunca tinha filmado em HD e a Lisa também não, por isso foi uma aprendizagem para ambas. Durante os ensaios, eu fazia a câmara e a Lisa ia iluminando tendo como referência o monitor, pois o visor da câmara é a preto e branco e, na realidade, confesso que não se vê grande coisa... Depois, na altura de filmar, trocávamos de posição. Eu ficava no monitor e ela operava a câmara.
No início, pensei que o filme terminaria com Evita, após reconhecer o cadáver do marido, caminhando pela praia. Mas era necessário que o filme acabasse fechado, daí a noite, os planos de janelas. Já acabei outros filmes assim, para mim as janelas são uma imagem muito simbólica: são coisas que se passam para lá de nós e que vemos assim... é uma sombra que passa, uma luz que se acende, outra que se apaga. Sabemos que existem “outros” mas a nossa capacidade de nos aproximarmos de qualquer coisa mais íntima é limitada. Porque, afinal, a verdadeira compreensão do outro é sempre impossível.
sessões inseridas na Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | RAEC2006
apoio:
ICAM Ministério da Cultura
Cinema
Batalha ![]()
25-09-2006
Sessões quinzenais em Outubro
na Sala Bebé do Cinema Batalha ![]()
às 10h 30 e 15h 30
dia 22
A Costa dos Murmurios
de Margarida
Cardoso




